Já mencionei antes aqui o quanto admiro o trabalho e a forma de fazer scrapbook da Ali Edwards. Ano passado ela escreveu uma série de artigos semanais, chamados 52 Creative Lifts, com pequenos textos sobre criatividade. Eu gostei de todos, mas dois deles foram especialmente significativos para mim.

Com a autorização da Ali, traduzi estes dois artigos para publicar aqui. Hoje estou postando o primeiro deles: Subtração e a Caneta Vermelha, onde ela fala sobre subtrair coisas em vários aspectos de nossas vidas, ao invés de adicionar, para chegar àquilo que realmente importa, o essencial. Achei excelente e o li justamente em uma época em que estava tentando fazer isso na minha vida – descartando os trabalhos que me sobrecarregavam, diminuindo, simplificando e “limpando” meu espaço de trabalho e até os móveis da minha casa, até chegar ao que era realmente necessário e agradável para mim.

Ali destaca o quanto é importante e faz bem ter “espaço para respirar”, em vários sentidos. O artigo é do começo de 2012, mas perfeito para começar 2013 cultivando nossos espaços em branco.

Para quem quiser conhecer mais, alguns links para o trabalho da Ali:

Site: aliedwards.com 
Blog: 
aliedwards.com/blog
Todos os artigos da série: 52 Creative Lifts
Link para o texto original em inglês: Subtraction & the Red Pen

 *O texto abaixo é uma tradução do artigo Subtraction & the Red Pen escrito por Ali Edwards, que gentilmente autorizou a sua tradução e publicação no blog lucianamurta.com. Publicado originalmente em 13/01/2012.
 
SUBTRAÇÃO E A CANETA VERMELHA – Por Ali Edwards
 
 

Uma vez que começamos um novo ano, todos parecem querer adicionar algo às suas vidas.

Um novo projeto, uma nova lista, um novo objetivo, uma nova maneira de ver. Eu também  faço isso. Há tantas possibilidades e potencial inclusos na escolha de adicionar isso ou aquilo.

No entanto, na semana passada estive pensando no conceito de subtração.

E se ao invés de focar na adição de coisas, eu enfatizasse a subtração? O que isso significaria para os meus esforços criativos? Para a minha vida?

  • Eu pensei nisso enquanto fazia um layout de scrapbook, conscientemente perguntando-me o que eu poderia tirar dele sem perder o que eu mais queria dizer.
  • Eu pensei nisso enquanto limpava um armário de brinquedos e considerei não adicionar algo novo, mas conceder espaço para que alguns dos outros brinquedos ficassem à frente.
  • Eu pensei nisso enquanto visitava websites na semana passada, monitorando como eu me sentia enquanto visitava os sites (postiva, negativa, neutra) e pensando em outras coisas que poderia estar fazendo quando me pego navegando negligentemente. Às vezes me sinto esgotada com twitterfacebookblogsvidasfotospalavras e o barulho da Internet. Isso pode ser uma distração muito fácil. Quando me sinto assim, eu procuro dar um passo atrás e focar novamente naquilo que é mais significativo para mim no meu trabalho – contar histórias com fotos e palavras. Ultimamente quando eu começo a me sentir ansiosa ou competitiva ou simplesmente “argh”, eu tomo isso como um lembrete para desconectar, voltar à minha mesa de trabalho, imprimir minhas fotos, digitar histórias e fazer algo que seja significativo para mim e minha própria família.
  • Eu pensei nisso enquanto olhava pelas lentes da minha câmera, pensando em como eu posso mudar minha visão para captar a essência do que eu quero comunicar?
  • Eu pensei nisso quando me deparei com pensamentos negativos sobre mim mesma e outros, questionando como eu poderia conscientemente subtrair esses pensamentos negativos.
  • Eu pensei nisso enquanto dizia sim ou não a projetos e convites, refletindo sobre os prós e contras para o meu horário e carga de trabalho.
  • Eu pensei nisso enquanto trabalhava nesta newsletter, perguntando-me o que poderia deixar de fora e ainda comunicar o que eu gostaria de dizer.

Subtração é realmente chegar ao centro da questão.

O que é o centro do que você faz, como uma pessoa criativa (scrapbooker, escritor, artista, fotógrafo, mãe, esposa, etc)? Como você pode pegar uma caneta vermelha metafórica (ou talvez real) e remover as coisas extras para chegar ao centro do seu próprio e pessoal “quem, o que, por que, quando, onde” etc.

(Eu acabei de deletar umas seis linhas de texto. Lembre-se que ninguém nunca lhe fala realmente sobre as coisas que foram subtraídas – nós apenas vemos o projeto pronto.)

Através do 52 Weeks esse ano, eu quero criar uma lista do que está dentro da minha própria caixa de ferramentas pessoal. Quais técnicas, suprimentos, métodos e padrões de pensamentos estão inclusos nesta caixa? Três razões para fazer isso: (1) simplesmente identificar o que realmente está lá (2) subtrair coisas que estejam lá mas que não precisam estar (pensamentos, métodos antiquados, coisas às quais estou me apegando mas que não estão me ajudando a avançar como uma pessoa criativa, etc) e (3) investigar coisas que eu possa querer adicionar. Iremos revisitar este tópico de vez em quando durante o ano, à medida que eu identifico o conteúdo.

O primeiro item na minha caixa de ferramentas é uma caneta vermelha.

Minha caneta vermelha é para subtrair – editar coisas que não importam de fato. Editar palavras, editar fotos, editar rotinas, editar suprimentos, editar possessões, editar pensamentos. Às vezes é fácil enxergar as coisas que deveriam ou poderiam ser subtraídas e às vezes é preciso um pouco mais de tempo e esforço para decidir o que remover. Às vezes eu uso literalmente uma caneta vermelha para riscar minhas palavras, em outras a caneta vermelha está apenas em minha mente ou coração, à medida que eu decido eliminar uma coisa ou outra.

Uma das coisas que eu mais amo em minha caneta vermelha é que, através do processo de riscar coisas, eu aprendo o que talvez não queira incluir de uma próxima vez.

“Criatividade não são só as coisas que nós escolhemos colocar, mas também as coisas que nós escolhemos deixar de fora.” Austin Kleon de “How to Steal Like an Artist (And 9 Other things Nobody Told Me)

Eu tendo a usar a subtração como uma forma de criar espaço para respirar em minha vida, espaço em branco em meus layouts, claridade em meus pensamentos e foco na minha fotografia.

Se subtrair é algo novo para você, considere começar aos poucos. Removendo apenas uma coisa (um elemento da sua página, uma palavra da sua frase, um item de vestuário do seu armário, um móvel, um brinquedo) e veja o que acontece. Como você se sente? Cada um terá um nível de conforto diferente com a caneta vermelha. Quando você ainda está começando a subtrair, remover uma coisa pode ser monumental na reestruturação do modo como você vê, sente e cria.

E se você retirasse coisas sem preencher aquele lindo e vazio espaço em branco? O que isso significaria para você e sua jornada criativa?

Subtrair nem sempre é retirar coisas para liberar espaço para mais. Às vezes é simplesmente para criar espaço. Espaço para respirar. Espaço para ouvir. Espaço para ver.

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One Response to Subtração e a Caneta Vermelha – por Ali Edwards

  1. Adalgisa Cruz disse:

    Muito legal esse texto!! Engraçado é que esta semana estive pensando assim mesmo…Mas, confesso que não consigo por em prática,”ainda”…
    Bjos,
    Adalgisa cruz.

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