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Olá pessoal,

Esse ano eu estou trabalhando junto com a Selma, minha parceira no Craftblender, na elaboração de projetos em forma de curso online, com temas diversos (todos relacionados ao que eu costumo postar aqui). A minha ideia é que sejam projetos variando de básico a intermediário, com explicações passo-a-passo.

Os detalhes do formato do curso ainda serão definidos mais adiante, mas basicamente funcionará assim: um ambiente fechado com formato de blog, com passo-a-passo detalhado em fotos e texto, video complementar e espaço para tirar dúvidas. Eventualmente também serão fornecidos moldes ou outros arquivos necessários ao projeto.  

O ambiente do curso terá acesso liberado somente aos alunos que comprarem o curso, por um número pré-determinado de dias. Durante esse tempo, o aluno poderá acessar o site do curso quando quiser e quantas vezes quiser, para executar seu projeto em casa (ou qualquer outro lugar) com tranquilidade, nos horários que lhe forem mais convenientes, e postar suas dúvidas para serem respondidas. 

Cada curso seguirá mais ou menos o formato das postagens de passo-a-passo que eu já faço aqui, porém mais detalhados e com mais recursos (como video e seção de tira-dúvidas). A intenção é atender:

  • pessoas que são totalmente iniciantes, que tiveram pouco ou nenhum contato com projetos artesanais
  • pessoas já familiarizadas com trabalhos artesanais, que querem praticar e se inspirar
  • quem quer aprender para ganhar dinheiro com a venda de trabalhos artesanais
  • quem quer produzir para presentear
  • para aqueles que querem aprender artesanato como uma atividade de lazer
  • qualquer pessoa que goste e tenha interesse 🙂

Eu implementei uma enquete aqui no blog (na barra lateral da direita, aqui ao lado), com alguns temas de projetos. Aqueles que têm interesse nos cursos, por favor, votem ao lado nos projetos que mais lhe interessam.  São 14 temas diferentes e é possível selecionar até 6. É só selecionar as opções e clicar em “voto” ao final da enquete. 

Esses são alguns temas que eu selecionei a princípio, mas sugestões são bem-vindas (dentre os tipos de trabalho que eu posto aqui no blog) e podem ser enviadas por email (contato@lucianamurta.com) ou deixadas aqui nos comentários.

Por fim, quero dizer que, apesar de que esses cursos serão pagos, eu continuarei a postar dicas e passo-a-passos gratuitos aqui no blog, inclusive levando em consideração os temas de maior interesse, votados na enquete. 

Obrigada e abraços a todos!

Luciana

Para localizar a enquete no blog:

Para quem gosta de trabalhos manuais, uma das grandes alegrias na gravidez é fazer coisinhas para o bebê, no nosso tempo livre. Eu fiz as lembrancinhas de nascimento e o enfeite de porta de maternidade do meu filho caçula e foi um prazer pensar e criar cada detalhe. Vou mostrar aqui 3 ideias diferentes, uma em papel, uma em tecido e uma super fácil impressa no computador. Todas simples, porque eu sou adepta do simples, mas muito fofinhas e gostosas de fazer enquanto aguarda a chegada do nenem.

Sem perceber, fiz todos os projetos pensando em uma bebê menina, mas eles podem ser adaptados facilmente para um menininho.

* Obs: Este não é um pap completo, apenas sugestões de projeto com algumas dicas de como fazer. 

1- Quadrinho scrapbook com inicial , em foamboard

Material:

  • placa de foamboard (papel espuma)
  • 2 estampas diferentes de papel
  • molde da letra inicial do nome do seu bebê
  • adesivo de alfabeto com as letras do nome (também pode ser o nome impresso em um pedacinho de papel, ou escrito à mão)
  • enfeites variados (eu usei flores, fio rústico e pérola adesiva)
  • cola, régua, estilete 

  

Eu fiz meu quadrinho no tamanho 15 x 15 cm.  O molde da letra fiz no Word (fonte Arial, tamanho 400).

É só recortar o molde no papel estampado com estilete, colar no foamboard e recortar novamente, com bastante cuidado. * Você pode pular essa parte e colar o A em papel estampado diretamente no quadrinho. Eu quis usar o foamboard na letra também, para dar volume e destaque à inicial. Dica: use carimbeira nas bordas para dar o acabamento na letra. Eu usei um rosa bem clarinho.

Com a letra pronta, é só montar o quadrinho todo. Eu usei alfabeto adesivo para escrever o nome abaixo da inicial, mas outra alternativa é imprimir o nome em um pedaço de papel liso ou neutro, recortar e colar. Se você tem habilidade com caligrafia e uma caneta legal, também pode escrever diretamente no quadrinho. Complementei com algumas florezinhas, um lacinho e pérolas e está pronto. Cole alguns pedacinhos de fita dupla-face de espuma na parte de trás, para prender na porta do quarto da maternidade, ou uma fitinha para pendurar.

 

2- Almofadinha personalizada com nome

Material: 

  • tecido estampado para a nuvem 
  • tecido liso ou neutro para o nome
  • molde de nuvem (ou outro molde de sua preferência)
  • plumante para enchimento
  • máquina de costura ou cola de tecido
  • cola quente
  • enfeites diversos (eu usei cordão de pompom, fitinha e tassel)
  • fitinha para alça 

Essa nuvenzinha fofa é um molde que eu desenhei e acabou de entrar na minha loja virtual (link aqui: Molde nuvem). Eu quis desenhar minha própria nuvenzinha, mas há muitos moldes de nuvem pela Internet, é só dar uma pesquisada que se encontra. Também não precisa ser necessariamente a nuvem. Para o enfeite da maternidade do meu filho caçula, por exemplo, eu fiz uma girafinha de tecido (molde também aqui na loja virtual), com o nome na frente (veja a postagem das coisinhas que fiz para ele aqui: Especial Mamães e Bebês).

Para fazer a nuvem, não tem segredo, é recortar o molde no tecido, costurar, encher e enfeitar. Você pode usar cola de tecido se não quiser costurar. Na nuvem estampada eu usei cola de tecido e na branquinha, costurei à máquina. 

Dica: Para a nuvem ficar bem redondinha, use pontos curtos na máquina, costure devagar e costure toda a volta, sem deixar abertura. Depois, faça um corte pequeno na parte de trás para revirar e colocar o enchimento. Quando estiver bem cheinha, recorte um retângulo do mesmo tecido que usou para a nuvem e cole sobre o corte, com cola para tecido ou cola quente. A parte de trás não ficará visível e dessa forma as costuras ficam bem certinhas, sem precisar dar pontos à mão depois de revirada.

Agora é a parte mais divertida, enfeitar. Na nuvem branca eu colei fita de pompom em toda a volta, com cola quente, e uma fitinha branca. Um pedaço do tecido de passarinho no meio, que pode ser costurado com pontinhos ou colado, leva o nome. Eu escrevi a mão com caneta Copic. Se não quiser fazer a mão, pode imprimir em papel transfer e passar para o tecido (há um tutorial completo aqui no blog, ensinando como usar o transfer: PAP etiquetas personalizadas de tecido). 

A outra nuvem, que já tinha a estampa de passarinhos, deixei mais simples. Coloquei apenas um tassel na lateral e o nome em tecido neutro, desfiadinho, no centro dela. Também foi escrito a mão com Copic, mas vale a mesma dica do transfer.

Para pendurar na porta do quarto, prenda uma fitinha atrás, costurando ou com cola quente. Depois do nascimento, você pode pendurar na parede ou na porta do quarto do seu bebê, em casa. 

Gostaram? Eu achei fofas e como fiz só para mostrar,vou retirar os nomes e dar para minhas filhas.

 

3- Quadrinho ilustrado impresso

Esse é o mais molezinha de todos, para quem quer fazer seu próprio enfeite, mas não quer ou não pode ter muito trabalho. É uma ilustração impressa colocada em uma moldura branquinha, que na verdade é de porta-retrato. A madeira da moldura era crua, eu pintei de branco com tinta de parede. 

A guirlanda é um freebie da Lisa Glanz, artista que eu admiro muito. A fonte que usei no nome se chama Argentinian Nights (de Kestrel Montes) e pode ser encontrada no Creative Market, assim como outros trabalhos da Lisa e de muitos outros artistas. Para vocês verem como ficou o arquivo que eu imprimi:

Então, essas são as minhas 3 sugestões, espero que aproveitem!

* Este site é afiliado do Creative Market e pode receber comissões por compras realizadas nele, através do link postado aqui. 

Já mencionei antes aqui o quanto admiro o trabalho e a forma de fazer scrapbook da Ali Edwards. Ano passado ela escreveu uma série de artigos semanais, chamados 52 Creative Lifts, com pequenos textos sobre criatividade. Eu gostei de todos, mas dois deles foram especialmente significativos para mim.

Com a autorização da Ali, traduzi estes dois artigos para publicar aqui. Hoje estou postando o primeiro deles: Subtração e a Caneta Vermelha, onde ela fala sobre subtrair coisas em vários aspectos de nossas vidas, ao invés de adicionar, para chegar àquilo que realmente importa, o essencial. Achei excelente e o li justamente em uma época em que estava tentando fazer isso na minha vida – descartando os trabalhos que me sobrecarregavam, diminuindo, simplificando e “limpando” meu espaço de trabalho e até os móveis da minha casa, até chegar ao que era realmente necessário e agradável para mim.

Ali destaca o quanto é importante e faz bem ter “espaço para respirar”, em vários sentidos. O artigo é do começo de 2012, mas perfeito para começar 2013 cultivando nossos espaços em branco.

Para quem quiser conhecer mais, alguns links para o trabalho da Ali:

Site: aliedwards.com 
Blog: 
aliedwards.com/blog
Todos os artigos da série: 52 Creative Lifts
Link para o texto original em inglês: Subtraction & the Red Pen

 *O texto abaixo é uma tradução do artigo Subtraction & the Red Pen escrito por Ali Edwards, que gentilmente autorizou a sua tradução e publicação no blog lucianamurta.com. Publicado originalmente em 13/01/2012.
 
SUBTRAÇÃO E A CANETA VERMELHA – Por Ali Edwards
 
 

Uma vez que começamos um novo ano, todos parecem querer adicionar algo às suas vidas.

Um novo projeto, uma nova lista, um novo objetivo, uma nova maneira de ver. Eu também  faço isso. Há tantas possibilidades e potencial inclusos na escolha de adicionar isso ou aquilo.

No entanto, na semana passada estive pensando no conceito de subtração.

E se ao invés de focar na adição de coisas, eu enfatizasse a subtração? O que isso significaria para os meus esforços criativos? Para a minha vida?

  • Eu pensei nisso enquanto fazia um layout de scrapbook, conscientemente perguntando-me o que eu poderia tirar dele sem perder o que eu mais queria dizer.
  • Eu pensei nisso enquanto limpava um armário de brinquedos e considerei não adicionar algo novo, mas conceder espaço para que alguns dos outros brinquedos ficassem à frente.
  • Eu pensei nisso enquanto visitava websites na semana passada, monitorando como eu me sentia enquanto visitava os sites (postiva, negativa, neutra) e pensando em outras coisas que poderia estar fazendo quando me pego navegando negligentemente. Às vezes me sinto esgotada com twitterfacebookblogsvidasfotospalavras e o barulho da Internet. Isso pode ser uma distração muito fácil. Quando me sinto assim, eu procuro dar um passo atrás e focar novamente naquilo que é mais significativo para mim no meu trabalho – contar histórias com fotos e palavras. Ultimamente quando eu começo a me sentir ansiosa ou competitiva ou simplesmente “argh”, eu tomo isso como um lembrete para desconectar, voltar à minha mesa de trabalho, imprimir minhas fotos, digitar histórias e fazer algo que seja significativo para mim e minha própria família.
  • Eu pensei nisso enquanto olhava pelas lentes da minha câmera, pensando em como eu posso mudar minha visão para captar a essência do que eu quero comunicar?
  • Eu pensei nisso quando me deparei com pensamentos negativos sobre mim mesma e outros, questionando como eu poderia conscientemente subtrair esses pensamentos negativos.
  • Eu pensei nisso enquanto dizia sim ou não a projetos e convites, refletindo sobre os prós e contras para o meu horário e carga de trabalho.
  • Eu pensei nisso enquanto trabalhava nesta newsletter, perguntando-me o que poderia deixar de fora e ainda comunicar o que eu gostaria de dizer.

Subtração é realmente chegar ao centro da questão.

O que é o centro do que você faz, como uma pessoa criativa (scrapbooker, escritor, artista, fotógrafo, mãe, esposa, etc)? Como você pode pegar uma caneta vermelha metafórica (ou talvez real) e remover as coisas extras para chegar ao centro do seu próprio e pessoal “quem, o que, por que, quando, onde” etc.

(Eu acabei de deletar umas seis linhas de texto. Lembre-se que ninguém nunca lhe fala realmente sobre as coisas que foram subtraídas – nós apenas vemos o projeto pronto.)

Através do 52 Weeks esse ano, eu quero criar uma lista do que está dentro da minha própria caixa de ferramentas pessoal. Quais técnicas, suprimentos, métodos e padrões de pensamentos estão inclusos nesta caixa? Três razões para fazer isso: (1) simplesmente identificar o que realmente está lá (2) subtrair coisas que estejam lá mas que não precisam estar (pensamentos, métodos antiquados, coisas às quais estou me apegando mas que não estão me ajudando a avançar como uma pessoa criativa, etc) e (3) investigar coisas que eu possa querer adicionar. Iremos revisitar este tópico de vez em quando durante o ano, à medida que eu identifico o conteúdo.

O primeiro item na minha caixa de ferramentas é uma caneta vermelha.

Minha caneta vermelha é para subtrair – editar coisas que não importam de fato. Editar palavras, editar fotos, editar rotinas, editar suprimentos, editar possessões, editar pensamentos. Às vezes é fácil enxergar as coisas que deveriam ou poderiam ser subtraídas e às vezes é preciso um pouco mais de tempo e esforço para decidir o que remover. Às vezes eu uso literalmente uma caneta vermelha para riscar minhas palavras, em outras a caneta vermelha está apenas em minha mente ou coração, à medida que eu decido eliminar uma coisa ou outra.

Uma das coisas que eu mais amo em minha caneta vermelha é que, através do processo de riscar coisas, eu aprendo o que talvez não queira incluir de uma próxima vez.

“Criatividade não são só as coisas que nós escolhemos colocar, mas também as coisas que nós escolhemos deixar de fora.” Austin Kleon de “How to Steal Like an Artist (And 9 Other things Nobody Told Me)

Eu tendo a usar a subtração como uma forma de criar espaço para respirar em minha vida, espaço em branco em meus layouts, claridade em meus pensamentos e foco na minha fotografia.

Se subtrair é algo novo para você, considere começar aos poucos. Removendo apenas uma coisa (um elemento da sua página, uma palavra da sua frase, um item de vestuário do seu armário, um móvel, um brinquedo) e veja o que acontece. Como você se sente? Cada um terá um nível de conforto diferente com a caneta vermelha. Quando você ainda está começando a subtrair, remover uma coisa pode ser monumental na reestruturação do modo como você vê, sente e cria.

E se você retirasse coisas sem preencher aquele lindo e vazio espaço em branco? O que isso significaria para você e sua jornada criativa?

Subtrair nem sempre é retirar coisas para liberar espaço para mais. Às vezes é simplesmente para criar espaço. Espaço para respirar. Espaço para ouvir. Espaço para ver.

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Alguém aí está fazendo o Project Life? Eu consegui terminar meu registro do ano de 2012, usando o álbum Smash como base. Já falei antes sobre como estava fazendo o meu próprio Project Life com os recursos que tinha à mão nestes dois posts:   Páginas x Registros de Histórias e Colecionando Memórias

Não registrei tanto quanto eu gostaria, mas registrei o que foi possível, e nesse “o que foi possível” incluo não só os impedimentos normais pelas obrigações do dia-a-dia e a falta de tempo, mas também pela preguicinha  e os dias em que simplesmente não tinha vontade de escrever nem tirar foto de nada, mesmo com tempo sobrando. Passei períodos longos sem acrescentar nada ao álbum, sem escrever uma linha sequer, mas não desisti, não me deixei levar pelo sentimento de “melhor largar de vez” por ter ficado muito tempo sem escrever. Ainda bem! Quando voltei a registrar, coloquei aquilo que lembrava, o que marcou, as (poucas) fotos que tinha e pronto, tá valendo. Foi desse jeito que consegui completar o ano. É muito bom olhar agora para ele assim, gordinho, cheinho de histórias, de lembranças, de fotos. Já comecei um novo álbum em 2013.

Sei que nem sempre temos tempo para escrever, ou mesmo para dosar o quanto vamos registrar e o quanto vamos vivenciar dos acontecimentos (quem nunca se pegou dividido entre olhar pela lente da câmera e gravar um momento especial ou simplesmente assisti-lo sem preocupação com o melhor ângulo?), mas eu acho que vale a pena, por mínimo que seja, e vou dizer por quê.

Em primeiro lugar, a atividade em si de fazer os registros é uma delícia. Pelo menos quem lê este blog, imagino que, como eu, fosse apaixonada por cadernos, diários, agendas, canetas coloridas, papeizinhos, enfeites, etc. quando menina. Poder agora, depois de adulta, fazer uma atividade que ao mesmo tempo em que distrai e relaxa, remete à nossa infância e conta a nossa história, dá uma satisfação enorme e proporciona horas de diversão. As ferramentas e variedade de materiais que existem hoje em dia  são de enlouquecer e, mesmo com poucos recursos e materiais, com criatividade podemos fazer muita coisa.

Em segundo lugar, embora fazer diários possa soar bobo e até infantil, registrar nossas histórias vai muito além de contar o que comeu, o nome da melhor amiga ou o que fez na escola, como fazíamos nos diários de criança. Envolve família, amigos, acontecimentos, celebrações, alegrias, angústias. É a possibilidade não só de guardar memórias que gostaríamos de relembrar daqui a anos, mas também de contar histórias para nossos filhos, netos, bisnetos, etc.

Quando escrevemos nossa história, falamos dos nossos filhos, por exemplo, mas também falamos COM eles, através dos nossos relatos, da nossa percepção sobre eles, dos nossos valores. Até mesmo as histórias sobre eles que escolhemos guardar têm um significado e conta alguma coisa sobre nós. O que nessa história foi tão especial aos nossos olhos para que desejássemos guardá-la para ser lembrada depois?

Quando escrevo, penso que possivelmente um dia meus filhos lerão aquilo e saberão mais de mim e do meu amor por eles, saberão de como vivíamos, do que fazíamos, de lugares aonde íamos, mesmo que eu já não esteja com eles. E quem não gosta de sentar e ouvir histórias da sua família, da sua infância, das pessoas que conviviam com você? É isso que um livro de registro de histórias faz, conta histórias da família para várias gerações.

Por último, dependendo do que registramos e da forma como registramos, escrever nossa história pode ser uma ótima forma de nos entendermos melhor e até de superarmos angústias e inseguranças. Eu mesma me dei conta, por exemplo, do quanto é inútil sofrer por antecedência relendo sobre receios que eu tinha de coisas que nunca vieram a acontecer. Se eu soubesse…

Por tudo isso, acho o registro de histórias uma atividade incrível, um hobby delicioso e que beneficia não só a gente mesma, mas nossa família e pessoas próximas.

Em maio do ano passado fizemos um evento no site Scrapbookbrasil.com totalmente voltado para quem está começando a fazer scrapbook, ou querendo começar (falei sobre ele aqui). O evento foi muito legal e ajudou bastante gente que estava com vontade de iniciar no scrap. Eu já mostrei aqui no blog as fotos dos cartões que fiz para o evento, porém agora vou colocar também o passo-a-passo completo de cada um.

Para começar, estou postando hoje o artigo que escrevi para a abertura do evento, que serve como incentivo para perder o receio de simplesmente começar (sim, começar é a parte mais difícil 😀 ). Nos próximos dias postarei os tutoriais dos cartões.

Obs.: Para quem quiser ver todos os trabalhos e atividades que fizeram parte do 1,2,3…Scrap no SBB, é só clicar neste link. Lá tem muitos outros tutoriais de artistas e dicas para quem está começando. OBS: Infelizmente precisei remover todos os links para o SBB, pois o mesmo está sendo bloqueado com um aviso de Malware e, consequentemente, todas as páginas do meu blog que contêm link para o SBB estavam sendo bloqueadas também.

Espero que gostem!

Então, vamos começar?


Image: Idea go / FreeDigitalPhotos.net

Uma das maiores dificuldades que eu tive para começar a fazer scrap foi exatamente… começar! É psicológico. A ansiedade para aprender, o monte de inspiração que eu via por aí, a vontade louca de produzir… Mas na hora de por a mão na massa, a frustração. Travava completamente! É um misto de uma certa preguiça para começar algo novo, em que ainda não temos experiência, o receio de fazer “errado”, de estragar os materiais, de não ficar como imaginamos e até mesmo se sentir meio perdido, sem saber bem por onde começar. E quando finalmente tomamos coragem e partimos para algum projeto, a inexperiência e falta de intimidade com os materiais podem desanimar um pouco. Muitas vezes o resultado final não fica aquele que imaginamos (ou não fica NADA como imaginamos).

Quebrando o gelo


Image: graur codrin / FreeDigitalPhotos.net

Acredito que a única solução para superar isso é simplesmente começar. Iniciar um projeto sem medo e sem grandes expectativas, apenas se divertir. Deixar fluir e experimentar o que tiver vontade.

Algumas dicas podem ajudar a quem está começando, ou ainda está só na vontade, a se soltar e se empolgar com seus trabalhos de scrap.

“Mas não estou gostando de nada do que faço…”

Image: digitalart / FreeDigitalPhotos.net

Em primeiro lugar, não se preocupe se no começo não gostar de nada do que você fizer. Acho que temos uma tendência a querer usar um pouco de tudo em nossos primeiros trabalhos, e o resultado acaba ficando meio confuso e estranho. Fazer e errar, fazer e não gostar, fazer e achar que podia ter feito melhor, fazer e gostar só um pouquinho, fazer e ficar com vergonha de ter feito, etc. tudo isso faz parte da inexperiência e das experiências do começo. É assim que conseguimos nos soltar e produzir cada vez mais, querer aprender mais e gostar mais do resultado. Aí começamos a nos divertir muito!

Scrap para mim


Image: Sura Nualpradid / FreeDigitalPhotos.net

Pense sempre que você está fazendo scrap para você e não para os outros, e que você não precisará prestar contas a ninguém sobre o resultado do seu primeiro trabalho (nem do segundo, do terceiro…).

Não tenha medo de começar a experimentar os materiais e ferramentas, eles não mordem (mas cuidado, alguns machucam se não forem usados de forma adequada, como o estilete ou o aquecedor de emboss). E não fique com pena de usar os materiais e perdê-los se o trabalho não ficar legal. Muitas vezes economizamos tanto um material que ele acaba sobrando para o resto da vida. Além disso, tem muitas maneiras de fazer scrap com materiais alternativos.

Lifterapia

Image: nuchylee / FreeDigitalPhotos.net

Lifts são uma ótima forma de começar. Escolha um trabalho que lhe agrade e desperte a vontade de fazer scrap, mas ao mesmo tempo que não seja muito complicado ou exija materiais específicos demais. O lift é bom para começar sem se sentir tão perdida e treinar sem o famoso medo de errar. Além disso, observar o trabalho de outra pessoa e tentar descobrir por que ele lhe agrada é um ótimo exercício para direcionar os futuros trabalhos e ajudar a descobrir nossas preferências. Mas faça bonito e lembre-se sempre de dar os devidos créditos ao trabalho original e seu autor!

Fazer projetos seguindo tutoriais com passo-a-passo é outra forma muito boa de começar a produzir sentindo-se mais confiante.

Inspirar, Expirar


Image: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net

Buscar inspirações, observar os trabalhos que nos agradam, os detalhes, procurar saber como foram feitos, tudo isso ajuda a aprender sobre técnicas e materiais e descobrir nossas preferências. Mas lembrem-se que nem sempre os trabalhos que vimos e achamos lindos são o tipo de trabalho que gostamos de fazer. Não vá se frustrar a toa se tentar fazer um projeto shabby chic lindo igual ao da Fulana e não conseguir. Pode ser apenas que esse não seja o estilo de scrap que você gosta de produzir, e não que você não leva jeito para a coisa.

“Um de cada, por favor”


Image: nuttakit / FreeDigitalPhotos.net

É a famosa frase das scrappers. Mas vá com calma nas primeiras compras de material! Não se precipite, pois no começo sempre queremos comprar tudo que achamos lindo (em todas as cores, formatos e tamanhos), não é? Mas muitas coisas ficam encalhadas depois. Aquele material super fofo que você deu um dinheirão porque achou que tinha que ter, depois vai querer tacar pela janela, ou pela inutilidade ou por descobrir que na verdade era meio cafoninha. Veja como foi a experiência de outras pessoas com a primeira compra e materiais que encalharam. Busque dicas de materiais básicos, investindo nos de boa qualidade. Com eles você já vai poder fazer MUITO scrap. Depois, comece a produzir sem medo, tentando, inventando, metendo a cara. Com o tempo começamos a descobrir nossas preferências e estilos, e aí sim podemos investir em materiais mais específicos com segurança. Mas também não se chateie demais com material que se arrependeu de comprar, isso é bastante comum, principalmente no começo.

Comece JÁ


Image: nuttakit / FreeDigitalPhotos.net

Por fim, não deixe de fazer scrap esperando pelo momento perfeito. Quando chegarem as férias, quando tiver mais dinheiro, quando o filho dormir, quando for sábado, etc. O momento ideal para começar é aquele em que sentimos vontade de produzir. Que tal começar agora mesmo? 😉

Para aqueles que estão começando agora no scrap ou no mundo das carimbadas, segue uma dica preparada por mim para o site Scrapbookbrasil.com, em maio/2010.

*****

Quase todo mundo aqui ama carimbos, não é? Eles têm imagens lindas e embelezam bastante os projetos. Na hora de carimbar, todo mundo erra às vezes. Algumas pessoas têm mais dificuldade quando estão começando. Carimbos grandes ou muito detalhados podem ser difíceis de carimbar, mas alguns cuidados e técnicas podem ajudar a conseguir uma imagem nítida e sem borrões.
Aqui vão algumas dicas:

– Carimbar sobre uma superfície sólida, plana e lisa. Não deixar nada por baixo do papel que vai ser carimbado. Às vezes um pedacinho de papel que fica por baixo, prejudica a carimbada.

– Normalmente é mais fácil aplicar a carimbeira no carimbo, e não o contrário, principalmente quando se usa carimbeiras pequenas e carimbos grandes. Dê leves batidinhas sobre o carimbo, com a superfície da almofada bem perpendicular ao carimbo, distribuindo a tinta uniformemente sobre o desenho em relevo:

– Se o carimbo for pequeno, pode ser mais fácil passar o carimbo diretamente sobre a carimbeira, pressionando (sem exagero) o carimbo sobre a almofada:

– Não aperte muito a carimbeira no carimbo na hora de passar a tinta, lembre-se que o objetivo é passar tinta somente nas linhas em relevo do desenho do carimbo. Se apertar ou passar tinta demais, o excesso de tinta vai entranhar nas ranhuras do carimbo e sujar também a área em volta do desenho, o que pode borrar a imagem na hora de carimbar:


Tinta aplicada corretamente


Excesso de tinta

– Antes de carimbar observe se todo o desenho está coberto com tinta. Se houver áreas sem tinta, reaplique. Carimbos novos podem levar um tempo até que “aceitem” a tinta distribuída uniformemente.


Carimbo com área seca, sem tinta aplicada


Carimbada falha por falta de tinta

– Se achar que ficou com tinta demais, dê uma carimbada em um papel de rascunho, antes de carimbar no seu projeto, para retirar o excesso.

– Observe também se há tinta na parte lisa do carimbo, por fora do desenho.

Se houver, limpe com um lencinho ou cotonete, para evitar que borre na hora de carimbar.

Se não limpar, pode acontecer isso:

– Na hora de carimbar, respire fundo, procure apoiar os braços e as mãos para segurar o carimbo firmemente, posicione-o e aplique sobre o papel, pressionando com firmeza, porém sem apertar demais:

– Segure o carimbo posicionando as pontas dos dedos de forma que consiga aplicar pressão uniforme em toda a superfície do carimbo, porém evitando que o carimbo escorregue e se mova para os lados.

Certo

Enquanto carimba, NÃO balance o carimbo para os lados pressionando uma área mais que outra, isso vai fazer com que a imagem fique distorcida ou com a tinta “espalhada” em algumas áreas. Basta aplicar pressão uniforme por todo o carimbo, com as pontas dos dedos.

Errado

– Levante-o em seguida de uma vez, para cima, sem deixar escorregar para os lados, para não borrar:

– Quando se aplica pressão em pontos isolados ou se deixa o carimbo escorregar para os lados, a imagem pode ficar deformada, com linhas mais fortes em determinadas áreas, e mais fracas e borradas em outras:

Quando a pressão é aplicada uniformemente e com firmeza, sem exagero e sem mexer o carimbo, a imagem fica nítida e perfeita:

– Carimbos com desenhos grandes e com grandes áreas preenchidas, necessitam de mais tinta e de mais pressão na hora de carimbar:
 

– Carimbos pequenos e com linhas finas e delicadas precisam de menos tinta e menos pressão na hora de carimbar:
 

– Para clear stamps, na minha opinião vale a pena investir em uma base de acrílico própria para eles:

É possível carimbar com bases alternativas, como capa de CD ou qualquer tampinha de caixinhas de acrílico, porém as bases próprias têm espessura e peso maior, além de um formato mais adequado, possibilitando uma “pegada” melhor. Fica mais fácil distribuir os dedos para pressionar de maneira uniforme e ter mais precisão na carimbada. Consequentemente, fica mais fácil obter um bom resultado, com imagem nítida e sem borrões.

Eu notei uma diferença grande depois que passei a carimbar com a base própria para clear, mas isso não significa que não é possível carimbar bem sem a base própria, apenas acho que fica mais fácil. Cada um tem seu jeito e o ideal é fazer como nos adaptamos melhor.

A melhor forma de alcançar bons resultados nas carimbadas é treinar muito. Não deixe para carimbar só na hora de fazer o seu projeto! Pegue seus carimbos e tintas, folhas de rascunho e brinque bastante, tentando de diferentes formas e com diferentes tipos de carimbo e de tinta. Carimbar é uma delícia e você ainda pode aproveitar as carimbadas de treino que deram certo, guardando-as para utilizar em projetos depois.

Beijos!

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Este texto é um pouco longo (ok, muito longo) e é uma continuação daquele artigo feito para o SBB que postei aqui outro dia, onde falei sobre a minha relação com as páginas tradicionais de scrapbook e uma forma mais informal de guardar memórias. Ele é direcionado àqueles que amam registrar suas histórias, ou que gostariam de começar a registrá-las, para que não esperem mais nada e comecem agora mesmo :D.

Como eu falei no primeiro artigo (Páginas x Registro de Histórias), compreender que eu precisava de um álbum semi-pronto para conseguir registrar as histórias que eu queria podendo focar somente no registro, sem me preocupar com a confecção de um álbum, foi o primeiro passo para finalmente unir histórias e fotos de uma forma que me agradasse. Agora o desafio é manter os registros, buscar o equilíbrio entre colocar no papel aquilo que gostaria de me lembrar e ao mesmo tempo não transformar isso numa obrigação, o que acabaria por matar a diversão (e os registros terminariam abandonados).

Sempre tive muita vontade de fazer o Project Life, no estilo do que a Ali Edwards faz (para conhecer, clique aqui). É uma maneira simples e gostosa de manter um registro de pequenos acontecimentos do dia-a-dia, bem do tipo que eu gosto de fazer. Acompanhando as postagens dela, que são super inspiradoras e cheias de incentivo, decidi tentar esse ano seguir o modelo para guardar minhas memórias e da minha família, adaptando ao meu ritmo e aos meus materiais. E tem dado certo!

ADAPTANDO

Acho os materiais do Project Life (clique aqui se quiser conhecê-los) maravilhosos, mas são caros e pelo que pesquisei, não é muito fácil conseguir o envio para o Brasil. Por isso me servem como inspiração, mas uso outros materiais. Mantive o Smash como base, já que ainda tinha dois sem uso, mas existem outras opções e não pretendo me prender somente ao Smash depois que completar esses dois. Tenho também um Brag Book (da Fancy Pants) pronto para uso, que é mais ou menos a mesma proposta do Smash, com algumas diferenças no modelo (ele tem, por exemplo, algumas páginas plásticas para fotos e outras com bolsos, intercaladas com páginas simples). Ou seja, por um bom tempo, ter onde guardar as memórias não será uma desculpa para não manter meus registros :D.

 

 

A Ali estrutura o Project Life dela dividindo por semana. Acho que seria o ideal, mas eu resolvi fazer com um formato mensal, que para mim, no momento, é suficiente e mais razoável de manter. Tenho feito de uma maneira bem simples, coloco uma aba com o mês, grampeada na própria página do álbum, e ali vou incluindo os registros. Sempre que acontece alguma coisa que tenho vontade de guardar, de contar, escrevo em uma pequena ficha, o mais rápido possível para não esquecer. Fotos relacionadas às histórias são inseridas depois, quando eu organizo e colo tudo nos lugares. Para fazer as fichas, corto um quadrado de papel com um furador e arredondo os cantos.  Normalmente escolho papéis neutros (gosto muito dos que têm pauta).

Ali escrevo, de forma resumida, o que aconteceu, colocando a data. Vou prendendo essas fichas na página do álbum relativa ao mês em questão com um clipe e pronto. Nesse momento não preciso me preocupar com o visual da página, cores, layout, etc. Isso tudo fica para depois. O objetivo nessa hora é só guardar a memória, para não esquecer, e já no papel definitivo. Se eu fosse escrever em um rascunho para depois passar a limpo, seria mais um fator desmotivante, já que me exigiria mais tempo e trabalho. Manter o mais simples possível é o que tem me possibilitado seguir adiante com os registros, sem cansar.

APROFUNDANDO HISTÓRIAS

Escrever em pequenas fichas é um método que funciona pra mim, pelo menos nesse momento, em que preciso registrar de forma prática e rápida. As fichas são o que eu mais gostei dentre os materiais do Project Life, por isso resolvi seguir o modelo. Ter uma limitação de espaço para escrever pode ser de grande ajuda ao invés de atrapalhar, pois nos concentramos no que é essencial contar. É prático e dá menos preguiça de escrever, sabendo que teremos que ser breves de qualquer forma :D. Mas isso não significa que eu vou deixar de contar uma história mais longa, ou com mais detalhes, pela falta de espaço. Quando isso acontece, eu costumo digitar e imprimir em fichas maiores, depois guardo essas fichas em um bolsinho dentro do álbum.

IMPRIMINDO FOTOS EM CASA

Mesmo que eu tenha fotos do acontecimento que acabei de descrever, não me preocupo de imprimi-las na mesma hora em que faço o registro. Fotos ficam guardadas no nosso computador com data registrada. Se colocamos a data no texto, não tem como nos perdermos na hora de incluir as fotos relacionadas a ele. O importante é ter feito o registro da história, que nem sempre lembramos depois. Em um outro momento, quando tenho um tempinho livre e disposição, seleciono as  fotos relacionadas aos acontecimentos que registrei e imprimo. Às vezes também incluo uma ou outra foto que eu gostei muito, mesmo que não tenha escrito nada sobre ela, seja porque ela mesma já conta uma história ou simplesmente porque gostei da foto.

Imprimir as fotos em casa também ajudou bastante na agilidade e frequência dos registros. Eu gosto de escolher na hora quais fotos e de que tamanhos vou querer usar, e de tê-las em mãos no momento em que me dá vontade de organizar as páginas, sem depender de mandar imprimir em algum lugar. Sei que mesmo configurando a impressora para imprimir com qualidade máxima o resultado não é o mesmo que mandar imprimir em um local especializado (pelo menos não na minha impressora basiquinha). Mas eu gosto assim mesmo e tenho sempre em mente que isso é um diário, não um álbum de fotos da família.

O diário tem como característica registrar o dia-a-dia, não é para ser super planejado e detalhadamente calculado, não é? É para ser espontâneo e as fotos ali são complementos, ilustrações para as histórias. Não vou dizer que eu mantenho álbuns de fotos convencionais porque a verdade é que eu tenho uma preguiça gigantesca de selecionar fotos para mandar imprimir (a última vez que fiz isso tem uns 3 anos e ainda nem coloquei no álbum!). Mas teoricamente é assim, o diário não substitui um álbum de foto, é outra proposta, e pretendo continuar fazendo álbuns convencionais.

Essa informalidade do diário é legal, dá liberdade para colocar no álbum por exemplo, aquela foto meio escura ou fora de foco, mas que foi a única que consegui tirar no momento do acontecimento. Se ela  me diz alguma coisa, se me traz recordações de um determinado momento, beleza, incluo sem problemas. Afinal a vida acontece de forma espontânea e não a vivenciamos com foco, luz e enquadramento perfeito, certo? 😀 Por que então não guardar nossos momentos independente de ter uma foto perfeita para mostrar?

ESCREVENDO À MÃO

Eu não gosto nadinha de escrever à mão nos meus trabalhos, embora ache lindo outros trabalhos com escrita à mão. Nem é que eu desgoste da minha letra, mas para escrever nos trabalhos e principalmente quando escrevo muito, acho cansativo e acaba saindo uma letra feia, rasura, alguma coisa torta. Isso me incomoda. Acho a escrita à mão charmosa e dá um toque original, mas nos meus trabalhos, não tem jeito, eu sempre implico. Por isso foi difícil ceder  e aceitar escrever as notinhas à mão no meu álbum-diário, mas… não tinha outra saída. Parar para escrever no computador e imprimir, pode parecer exagero, mas é um enorme obstáculo quando temos pouco tempo e precisamos ser práticos para não perder o momento e deixar de registrar algo legal. Resolvi assumir a escrita à mão e mandar ver, sem neura. Em termos de estética, continuo preferindo imprimir, mas a satisfação de ver memórias guardadas, e o mais legal, de forma leve e prazerosa, faz com que isso não tenha tanta importância.

MÊS A  MÊS

A cada mês que se inicia, durante alguns dias vou colecionando histórias, fotos, bilhetinhos, desenhos dos meus filhos, um pensamento, algum texto ou email especial, um ticket de algum lugar, ou qualquer outro tipo de recordação que tenha significado para mim. É lógico que não registro tudo, na verdade muitos dias não tem registro nenhum. Eu registro aquilo que me desperta alguma coisa, que eu gostaria de lembrar depois, algo que acho engraçado ou que foge da rotina. É meio instintivo, não tem regra e nem obrigação. Se pensar em registrar algo mas não estiver a fim no momento, tudo bem. Se eu lembrar da história mais tarde, escrevo. Se não, deixo passar, sem stress. Depois, espero o dia em que tenha um tempinho livre e tranquilo para imprimir as fotos e organizar as histórias e finalmente colo tudo definitivamente no álbum. Não planejo de quanto em quanto tempo fazer isso, mas percebi que tenho feito umas duas vezes por mês e tem funcionado bem assim.

A quantidade de páginas do álbum que uso em um mês varia muito de acordo com os acontecimentos de cada mês e com a minha disposição de registrá-los. Mas isso não faz diferença pois não preciso determinar de antemão quantas páginas usar. Vou completando as páginas na sequência e insiro um novo mês só quando termino de fazer o anterior. Se encher seis páginas em um mês ou uma só, está ótimo. Na verdade essa parte final de colar os itens é a mais fácil, pois já está tudo ali à mão e não me preocupo em fazer páginas elaboradas e super criativas (sinceramente, se eu simplesmente deixasse tudo ali preso com clipes pelas páginas também acharia lindo e até bem charmoso, só não deixo porque tenho medo que alguma coisa caia e se perca).

SIMPLICIDADE É O SEGREDO

Na hora de organizar as páginas procuro combinar alguns papéis, acrescentar uns poucos enfeites (às vezes nenhum mesmo) e pronto. Nem sempre o resultado é maravilhoso, esteticamente falando, mas as memórias estão ali, até nas letras tortinhas e nas fotos não tão legais. São as histórias da minha vida e da minha família , e é isso que torna esses diários tão especiais. Se pararmos para pensar, não gostaríamos de ter registros assim dos nossos pais, avós, bisavós, etc. para ler agora? Não seria incrível conhecer suas letras manuscritas, ver as imperfeições no papel, as fotos mesmo que não muito nítidas, suas visões da vida, sua descrição dos acontecimentos? Quem se importaria com perfeição estética? Seria um tesouro!

Não ter regras rígidas com a gente mesmo e conseguir encontrar o ritmo e a forma que faça do ato de registrar memórias um prazer e não uma obrigação, fazem com que esse se torne um hábito que naturalmente não abandonamos.  Já estamos em abril e até o momento tenho conseguido manter o ritmo no registro das minhas histórias mês a mês, o que pra mim é uma grande conquista (principalmente por ter vontade e intenção de continuar), pois eu sou mestra em abandonar projetos a longo prazo.

Ah, só uma observação: estamos falando de simplicidade e praticidade no modo de registro, mas a preocupação em usar materiais livres de ácido é importante, pelo menos para quem quer manter suas memórias por muito tempo sem serem danificadas ;).

Mais uma vez, espero que essa experiência sirva de incentivo para quem gosta de contar histórias. Mesmo quem ainda não registrou nada esse ano, ou começou e parou, mas quer continuar, continue, da sua maneira, no seu ritmo. São as suas memórias, elas são valiosas, não importa de que forma ou com que frequência elas sejam contadas. Isso em si já faz valer a pena!

Beijos e uma ótima semana,

* Artigo escrito para o Scrapbookbrasil, publicado em 14/11/2011

ANOTANDO A VIDA

Outro dia, tentando fazer um LO digital para um desafio, comecei a pensar na minha relação com as páginas de scrap. Desde que eu entrei no scrap, as tradicionais páginas, os layouts, nunca me atraíram muito. Eu vim bater aqui pelos cartões e outras possibilidades, mas confesso, não achava graça em fazer página. Não que eu não achasse bonito, nem que não gostasse de fotos e registro de histórias, muito pelo contrário. Quando tinha 16 anos, minha mãe, que sempre gostou de escrever, me deu de presente um enorme “caderno de anotar a vida” (a ideia vem do livro “A Casa dos Espíritos” da Isabel Allende). Desde então eu escrevo diários (sem contar aqueles da infância, que infelizmente não guardei), conto histórias e mais histórias e amo tirar fotos. Mas com as tais páginas de scrapbooking, tinha muita dificuldade de fazer algo que me agradasse.


Meu “caderno de anotar a vida”

Com o tempo fui percebendo que o meu principal problema com os LOs é que o formato deles não funciona para o tipo de registro que eu gosto de fazer, pelo menos não o registro frequente, do dia-a-dia. Eu gosto de escrever muito, de contar muitas histórias, uma ligada a outra. Contar histórias pontualmente, em páginas, não estava funcionando para mim. Foi depois de concluir isso, e ajudada por alguns outros fatores, que eu comecei a buscar outros caminhos.

Um deles foi o trabalho e o exemplo de outras scrappers que eu admiro muito, como a Ali Edwards, que sempre nos lembra que não há certo x errado, que o importante é registrarmos nossas histórias, aquilo que tem significado para nós, sem neura de perfeição. Outra foi perceber que, se eu quisesse de fato produzir, registrar memórias de forma artesanal, não só no computador como vinha fazendo, precisava de uma base pronta. Algo em que eu pudesse trabalhar sem precisar partir do zero, de modo que eu pudesse focar somente no “contar histórias” e não me preocupar ou gastar o pouco tempo livre que tenho com a confecção da base.

Mas, como scrapper, sempre achava que eu tinha “obrigação” de fazer tudo, montar um álbum, decorar a capa, etc. Eu me cobrava isso e como não tinha o tempo para fazer do jeito que eu imaginava que deveria ser, acabava não fazendo nunca e deixava de registrar as histórias do jeito que queria.

MINHA VIDA É UM SMASH ABERTO

Quando apareceu o Smash, justamente em um momento em que eu buscava algo fácil e rápido para registrar o mês que estava para começar, resolvi desencanar de vez e assumir meu scrap informal. O Smash estava ali na minha frente, pronto, todo bonitinho, cheio de páginas, piscando pra mim e gritando “escreva-me”.

Serviu perfeitamente para o que eu precisava, finalmente consegui colocar no papel o que antes ficava em arquivos de computador, muitas histórias com fotos e a diversão de decorar com materiais de scrap. E não precisa necessariamente ser assim, um “Smash”, qualquer álbum ou caderno do tipo, que seja uma base já pronta, com materiais adequados que não prejudiquem as fotos, irá me servir da mesma maneira.

Sabe aquele papo de que fazer scrap é pra gente mesmo? Não é só papo, é exatamente isso. Quando a gente começa, tende a querer seguir o que vê os outros fazendo, mas aos poucos começa a enxergar aquilo que move a gente a produzir, que tem a ver com os nossos próprios sentimentos e gostos, que faz o trabalho fluir com naturalidade. É isso que faz cada trabalho de scrap ser único e original.

Continuo buscando meus caminhos, tentando descobrir o que me agrada e o que funciona pra mim, guardando os momentos em fotos, registrando as histórias que não quero esquecer, mas sem cobranças comigo mesma. Desde que comecei a fazer isso, passei a produzir mais, contar mais histórias e me divertir mais. Nem sempre percebemos o valor de uma história contada, às vezes parece até bobo contar em detalhes algo que aconteceu ontem, mas daqui a algum tempo o prazer de reler e relembrar esses momentos fará tudo valer a pena.

E as páginas? Continuam não sendo frequentes… normalmente elas saem quando querem, não quando eu tento fazê-las. Algumas lembranças específicas, alguns temas que me tocam muito, acabam saindo naturalmente em páginas, ou às vezes simplesmente dá vontade de fazer uma página, sem pressão.

Espero que, de alguma forma, ter contado essa historinha possa inspirar mais alguém a registrar seus momentos preciosos pelo simples prazer de fazê-lo, sem receio de fazer “errado”.

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